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    Diego Hypolito achava que acusações contra ex-técnico eram fofoca: "Não fazia ideia"


    Quando chegou a São Bernardo do Campo, em 2014, Diego Hypolito ouviu rumores, mas não deu muita atenção. À época, classificou tudo o que falavam sobre Fernando de Carvalho Lopes, seu novo técnico, como fofoca. 

    Hoje, quatro anos depois e com uma prata olímpica em mãos, o ginasta ainda tem dificuldades de encarar os fatos. Após as dezenas de denúncias de abuso sexual contra o treinador, que vieram à tona em matéria exibida pelo Fantástico, neste domingo, Diego repensa o passado.

    "Eu achava que era um telefone sem fio, que era fofoca. Eu acredito que alguma coisa existe. Não é possível. É muita gente, é impressionante. Eu não fazia ideia. São muitas crianças. É chocante"

    Diego chegou para treinar em São Bernardo a convite de Fernando. Em baixa na época, viu no técnico a chance de recuperar a melhor forma. “Eu precisava de um motivador, e o Fernando era isso no treino”, explica. Até o afastamento do treinador, não viu nada que o fizesse acreditar nas acusações que ouvia em conversas com outros ginastas.

    Eu achava que era um telefone sem fio, que era fofoca. Na minha carreira, eu tive muitos críticos no meio do esporte e fui supervalorizado pela nação, por pessoas que realmente tinham importância para mim. E isso me fazia pensar que era a mesma coisa. Ele era um bom treinador. Então, por ele ser um bom treinador... se você for pensar, é muito difícil de acreditar. Hoje em dia não acredito que não seja real. É totalmente o oposto. Depois de tudo, muita gente começou a ter coragem de falar. (...) Hoje em dia, por tantas pessoas que me falaram, eu não acredito que seja uma rixa contra. Eu acredito que alguma coisa existe. Não é possível. É muita gente, é impressionante. Eu não fazia ideia. São muitas crianças. É chocante.

    Diego acreditava que a má fama do treinador fosse algo isolado. Apesar de ter ouvido boatos sobre casos de abuso do técnico, Diego acreditava que eram apenas uma forma de atingir Fernando às vésperas dos Jogos do Rio.

    Os treinadores não gostavam do Fernando. Eu sempre achava que não gostavam, era uma coisa que vinha na minha cabeça e eu sempre comentava com o Caio (Souza, outro ginasta que foi contratado pelo ASA de São Bernardo). Eu achava que não aceitavam o Fernando por ele ser treinador do vôlei. Eu achava que o Fernando estava sendo sacaneado, que ninguém queria que ele fosse para os Jogos Olímpicos. Eu tinha certeza, na minha cabeça, que só queriam sacanear ele por causa dos Jogos Olímpicos e eu não podia fazer nada. Na época, eu pensei: “Coitado, não vai para os Jogos Olímpicos”.

    Desde a denúncia, Diego conversou com Fernando apenas uma vez, pela internet. Com a sensação de que seu ex-técnico era inocente, disse apenas que esperava a apuração do caso. Agora, diante de tantas denúncias, o ginasta se disse obrigado a se posicionar. Ainda que a modalidade tenha sua imagem manchada, ele diz.

    - Eu estava meio que fugindo, não estava me posicionando. Se eu, sendo a pessoa que sou, sendo formador de opinião na minha modalidade e no esporte, preciso pegar e mostrar que o certo é o certo e o errado, errado. É uma situação muito delicada, fere muito a imagem da modalidade. Eu tenho muito medo das coisas futuras que vão acontecer na modalidade. Os fatos precisam ser apurados. Ver se 100% é real. Na nossa cabeça, sempre vem uma dúvida. Não aconteceu comigo. Então, os fatos têm de ser apurados. Porque a gente também espera uma resposta disso tudo.


    Fonte: globoesporte