Motorista desvia rota de ônibus para socorrer passageiro que passou mal em João Pessoa

Um motorista de um ônibus de transporte público de João Pessoa desviou a rota e levou um dos passageiros, um idoso de 64 anos, que estava passando mal até um hospital no Centro da cidade na manhã desta sexta-feira (4). De acordo com o próprio motorista, Ricardo Ferreira, de 41 anos, após ouvir que o passageiro havia caído dentro do coletivo, ele parou o veículo, transferiu as outras pessoas para outro ônibus e resolveu levar o homem para o hospital mais próximo.

“Escutei o barulho e olhei pelo retrovisor. Ele estava passando mal, pálido. Parei o ‘carro’ e acionei o Samu. Aproveitei a espera para transferir o restante dos passageiros, uns 50, para outro ônibus. Como eu estava perto do hospital e não queria esperar mais pelo Samu, fui no ônibus até o hospital São Vicente de Paula”, relata Ricardo, motorista de ônibus há 20 anos em João Pessoa.

O percurso da área onde Ricardo parou o coletivo, nas imediações do Mercado Central de João Pessoa, até o hospital durou cerca de cinco minutos. O motorista explicou que contou com a ajuda de um estudante de medicina de uma universidade particular durante todo o socorro.

Ao chegar no hospital, o motorista relatou que mesmo depois do atendimento médico ao passageiro, ficou esperando os familiares para explicar o que havia acontecido. “Estavam muito nervosos, porque pelo que soube tinha sido um princípio de infarto, então eu tentei tranquilizar a família”, comentou.

Não satisfeito em ajudar um passageiro, Ricardo Ferreira ajudou também o universitário que seguia até então no ônibus da linha 5310 para a faculdade. Por ter ajudado o passageiro que passou mal e o acompanhado até o hospital, o estudante de medicina chegaria atrasado e perderia uma prova. Para evitar um prejuízo acadêmico, o motorista foi até o centro universitário, no bairro de Água Fria, e deixou o seu “ajudante” a tempo do exame.

“Temos que fazer aquilo que a gente espera que façam por nós. É o que devemos fazer enquanto seres humanos, entender que todos merecem ajuda”, declarou o motorista.

Em 20 anos de carreira, Ricardo Ferreira confessou que nunca tinha passado por uma situação semelhante. Para evitar problemas, o motorista solicitou uma declaração ao hospital e colheu a assinatura do estudante de medicina como testemunha. A princípio, o heroísmo do motorista, não só foi justificado como deve servir de exemplo pela empresa para os demais trabalhadores.

Passageiro passa bem

O passageiro socorrido por Ricardo Ferreira é José Nunes Sousa, de 64 anos. Segundo a filha do passageiro, Joelma Sousa, o pai recebeu alta médica do final da manhã desta sexta e passa bem. "Os exames feitos no hospital não apontaram nenhum problema mais grave, mas ele vai fazer uma bateria de exames para saber o que aconteceu", explicou.

Ainda de acordo com a filha do passageiro, José Nunes havia sofrido um princípio de infarto há 10 anos. Ela acredita que o episódio desta sexta-feira tenha sido mais um princípio de infarto. "Agradecemos demais ao motorista, porque ele agiu rápido, até no percurso, porque se demorasse um pouco mais, talvez meu pai não tivesse resistido", contou Joelma Sousa, que é profissional da área de saúde.

Drama pessoal

Na conversa com o G1, durante o horário de repouso, o motorista explicou que um drama pessoal contribuiu para que ele se sensibilizasse com o passageiro. O pai de Ricardo tem câncer de próstata e recentemente foi transferido do Hospital Laureano para o Padre Zé, ambos em João Pessoa, após o câncer fazer metástase, se espalhar para outros órgãos.

“Os médicos informaram que meu pai está em uma situação que não têm mais o que fazer. Usei esse exemplo para tranquilizar a família do senhor que passou mal, porque é preciso ter fé. Enquanto tiver vida, tem que ter fé”, desabafou o motorista.

Segundo Ricardo, após o seu depoimento, a família do passageiro ficou mais calma e agradeceu o socorro. “Soube que ele [o passageiro que passou mal] ia passar por exames de coração. Combinei de ligar para família para saber o estado de saúde dele. É nosso dever ajudar”, concluiu.


Fonte: G1 PB
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Editor Odair Morais

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